domingo, 3 de junho de 2012

Porque sim/não



Penso que a língua portuguesa pregou-nos mais uma partidinha.
Já falei, em posts anteriores, sobre as perguntas óbvias:

"Tás cá?" (e temos a pessoa que está a falar à nossa frente a olhar para nós)
"Tás a dormir?"

And so on.

E agora lembrei me de uma resposta que é muito habitual ouvir-se, e ainda assim, não é considerada resposta:

"Porque sim" ou "Porque não".
Em inglês, "Because".

E o que é que normalmente ouvimos depois de dizer qualquer uma destas hipóteses?

"Porque sim/não, NÂO É RESPOSTA."

E pronto.
É aqui onde discordo total e completamente - é é. É resposta é.

Talvez não seja é a resposta que gostávamos de ouvir.
Ou talvez a pessoa com que estamos a falar não seja inteligente ao ponto de perceber que se uma pessoa responde assim, deveria ser traduzido para qualquer coisa como:

"Não me apetece dizer a razão"
"Foda-se tá calado/a"
"Não tens nada a ver com isso"
Ou até mesmo,
"Vai pro caralho"... e fecha a porta quando saíres.

OU também pode ser levado num sentido literal e a pessoa estar a fazer ou a dizer alguma coisa MESMO só porque sim ou porque não.

Eu faço muita coisa por essas simples razões.
E nem acho assim tão estranho.

E então?
Não é uma resposta?
Eu acho que é.

A dualidade do ser



Ser artista,
nascer assim,
é lindo.
É um privilégio.

Nem toda a gente tem capacidades de se expressar,
seja numa tela,
num texto,
numa música,
numa dança,
num click de uma máquina fotográfica.

Quase toda a gente consegue de facto desenhar alguma coisa,
escrever alguma coisa,
cantar,
dançar,
clicar no botão de uma máquina fotográfica.

MAS,
expressar-se através disso...
nem todos.

Mas alguns sim!
Alguns nascem com esse Bichinho maravilhoso dentro do seu ser.

É de facto maravilhoso,
mas esse Bichinho artístico,
alimenta-se de arte,
respira arte,
vive arte.

É víciado,
como Bichinho artistico que é...
em arte.
E cresce,
cresce,
cresce dentro de uma pessoa até ficar maior que ela.

O meu,
está enorme.
Já há muito que me consumiu,
já há muito que é maior que eu.

Ter de lhe pôr travões,
é a mesma coisa que tirar alcool a um alcoolico...
horrível.

Mas às vezes tem de ser,
tenho de o travar.
Senão eu própria seria arte,
arte andante.

Até o sou.
Sou arte só por ser quem sou,
e fazer o que faço.

Mas caso não o travasse de vez em quando,
nem um 10 tirava na faculdade,
nem uma conversa normal saberia ter,
nem conviver saberia como.

Dos piores sentimentos (entre muitos) que um artista pode ter,
é querer expressar-se até ao não-limite,
até ao infinito...
e não poder.
E ter de descer à Terra,
e ser terráqueo.
É uma frustração terrivel.

Às vezes gostava de poder esquecer-me que vivo dentro de uma sociedade,
onde existem regras,
limites,
comportamentos aceitáveis e não-aceitáveis,
correctos e incorrectos,
estranhos e normais.

É uma dualidade constante.
Dualidade tal inevitável na vida de um artista,
que custa... dói.

Mas são sacrificios que se têm de fazer,
simplesmente para que possamos apenas ser.

sábado, 2 de junho de 2012

Such a lovable irony



At this point, I only feel like laughing my ass off!!

It's so ironic to see you running towards a pre-signed cliff,
'Cause I'd do exactly the same thing in your situation.
I would.
You know I would.

You're running, blindfolded, focused,
and nothing and no one is going to stop you.

Whatever they might say,
whatever they might show you,
you just keep running.
'Cause you want to see it for yourself,
you want to FEEL IT for yourself,
and I don't judge you for that,
'cause I'd do the same,
the exact same thing.

And here's the irony,
I'd do the same.
I'm just like you.
You're just like me.

We think the same,
we act the same,
we walk in the same dark,
we run in the same light,
just apart from each other.

Apart exactlly because we're so much alike.

Ironic isn't it?


So I can only wish you good luck,
'cause at the end of the day,
what I trully want,
is you to be just and only,
you. <3

Eu vou, eu vou, pra casa agora eu vou!


Pois é,
muito tempo tive eu na mina,
a ver se encontrava os diamantes que queria.

Encontrei.
Encontrei todos os diamantes que achava que ia encontrar,
e até os que achei não haver.

Foi trabalho do duro,
de manhã à noite,
e de dia para dia.

Saía de lá todos os dias com as mãos em sangue de tanto procurar,
de tanto escavacar na pedra.
Pedra dura e preta.

Mas orgulhosa,
sempre.
Acreditei mesmo nos dias em que já me parecia não haver mais nenhum diamante escondido.
Acreditei.
E encontrei.
Muitos.
Lindos e brilhantes.
Alguns deles ofuscavam-me de tanto brilho.
Fiquei cega por momentos,
várias vezes.
E adorei.
E queria estar.

MAS,
e há sempre um "mas",
encontrei um que me deixou intrigada.

Era puro,
brilhava tanto ou mais como todos os outros que já tinha encontrado.
Mas o brilho deste era diferente,
um brilho mais interior que exterior.
Era preciso olhar com uma lente de grande resolução para conseguir vê-lo brilhar.
Mas dava!
E brilhava...
E bem!

Mas depois...
Luz exterior?
Ui.
Sem lente, era para esquecer!

Quase que parecia que só brilhava para quem queria.
E até certo ponto, penso que escolheu bem as suas "vitimas"...
Até hoje.

Hoje escolheu brilhar para quem deveria precisar de não uma,
mas duas ou três lentes para ver o seu brilho.
Mais que isso,
por muito que o consiga ver,
duvido muito que algum dia consiga perceber,
o valioso que é aquele diamante.

Um diamante com personalidade,
com poder de decisão,
com poder de escolha.
Um diamante com vida própria.
Incrível.
Nunca tinha visto uma coisa assim.

Esta última vitima escolhida por ele,
acredito que nunca irá dar o devido valor a um diamante tão raro e diferente.

Mas é isso que ele quer,
Quer ver se a vitima é capaz de conseguir.
Quer ver até onde consegue chegar,
qual o valor que irá dar.

Quase como se se leiloasse a si mesmo,
mas fechando o negócio previamente.

Acho que está a perder tempo...
e brilho.
Perdeu brilho,
e vai continuar a perder.

Porque o poder não está só de quem mostra,
mas também,
nos olhos de quem vê.

Vou para casa agora,
já vi o diamante com olhos de ver,
adorei.
Cegou-me.
E com o seu brilho interior...
Cegou-se.
Está cego agora.

E agora, é o meu agora.

Já fiz o que tinha a fazer.
Minhas mãos sangram,
por entre crostas e feridas abertas.
E por isso tenho de deixar este trabalho,
preciso das minhas mãos para outros trabalhos,
para outras minas,
para outras descobertas.

Boa descoberta esta.
Nunca vou esquecer.
Este diamante que um dia,
deixou de ser.


sábado, 26 de maio de 2012

More love please!


I'm a love addict.
I love love.
Don't you just love love?
Love.
Even the word is beautiful.
Love.

Such a great drug to use.
Doesn't cost anything.
You don't even have to buy it,
since you have it in you,
you can use it.
Sometimes people even give it to you,
free.
Free, beautiful and free.

The hangover from this drug though,
is terrible I have to admit.
But still, the trip is awesome,
It's worth it.
It's gooooooood.

I love love,
don't you? :)

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Ginástica de Emoção Sincronizada


Eu faço o pino, dois mortais de costas e três cambalhotas por ti.
Em troca só peço que dês um passo.
"Só" um.

Frágil! Transportar e abrir com precaução



O meu coração,
frágil e pobrezinho coração,
já se partiu algumas vezes.

A primeira vez, tive de juntar peças grandes.
Partiu-se em 2 ou 3... nada de especial.

Comprei uma cola baratinha,
e a coisa aguentou-se bem.

Passado uns tempos partiu-se mais uma vez,
e outra,
e outra,
e outra.

E eu?
Eu fui comprando uma cola cada vez mais forte,
mais cara também.
Mas tinha de ser de boa qualidade,
agora que já se tinha partido tantas vezes,
já não se partia em dois ou 3...
mas em 20 ou 30 bocadinhos.
Dá mais trabalho.
Requer mais tempo.
E começa a partir-se com mais dificuldades.
Começa também a ter pontos fracos,
sendo que certa altura partia-se sempre de maneira parecida à anterior.

A cola já lhe começava a dar um aspecto feio,
robusto,
e sem grande harmonia de forma.

Mas lá se foi aguentando à bronca.
E já quando se ia a partir,
já tentava dar outra face.
Uma face que ainda não tivesse sido violentada.

Hoje em dia,
o meu coração tem cola,
fios,
nós,
pensos e também fita cola.

Já se parece um bocadinho com um trapo,
um trapo cheio de remendos,
mas até que nem está mal.
Continua a falar bem,
muito bem.
E nem sequer tem muito medo,
quase nenhum mesmo.
É forte o gajo.
E eu (modéstia aparte) fiz um bom trabalho de restauro.

Sim,
aguenta-se porreiro,
e mal se queixa.

Ainda assim...
Continua com os seus pontos fracos.
Pontos fracos tais que tenta protege-los o mais e melhor possível.

Mas às vezes,
mesmo ele sente necessidade de baixar os braços.
Cansa-se de estar sempre a defender-se,
e só lhe apetece relaxar.

E é aqui que o apanham,
Quando se encosta e respira fundo.

É então que penso que se levar um piparote,
por muito levezinho e até gentil que seja,
se for numa pecinha que nunca colou perfeitamente bem...
desmancha-se todo.
Toooodinho.

E eu não sou de restauração,
e nem sequer tenho uma loja de colas.
Tenho de as comprar.
E hoje em dia é caro,
muita caro.
Sendo que a qualidade tem de ser da melhor também,
e sendo que já se partiu em tantos bocadinhos...
é um trabalho no mínimo, árduo.

Então mas nunca ninguém o colou por ti?
Não.
Não colou.
Partiu e foi-se embora como que um miúdo que parte a jarra preferida da Mãe.

Eu não tenho mais forças para trabalho de restauro,
portanto caso se parta outra vez,
ou o colam por mim...
ou é melhor alguém limpar os bocadinhos do chão,
porque eu não tenho mais força.
Não tenho.

É como se dessem um puzzle de 1000 peças,
em que a imagem final seria um céu azul com nuvens brancas.

Já estou cansada só de pensar.