sexta-feira, 25 de agosto de 2017
Saída de entrada
No labirinto que é o amor
Pouco faço senão lidar com a dor
Só entro pela saída
E não me chego à partida
Não perco nem me perco
Da porta ou do caminho
Regozijo-me em afecto
Mas saio sempre de fininho
Ir, não deixo d'ir
Sei que da viagem beberei
Vou sabendo como partir
Pela saída onde entrei
terça-feira, 4 de julho de 2017
Do Mundo
Num mundo onde o mundo se pela
Para ficar com outrém
Eu me pelo com a ideia de ficar sem
Mim, de mim para mim
Roubam-me o lugar que de ser eu previligiado
Sendo culpa minha
Que não sei o que é ser amado
Não sei e não faço por saber
A curiosidade de tal sentimento
Não é suficiente
Talvez por saber que irei gostar
Que irei precisar
Prefiro nem tentar
Não vá eu sem querer me agarrar
Por isso chego
Apareço
Junto-me ao rebanho
Mas desapareço tão igual
À maneira que apareci
Do nada e sem mal
Descalça e de bom astral
Intensa que nem selvagem animal
Não peço compreensão
Sequer uma mão
Peço apenas que não se conte
Que fique pro final
O alheio impossível de controlar é
Pra que vou correr o risco
De cair enquanto molho o pé
Não me parece vantajoso
Dá-me até um certo nojo
A facilidade com que alguém se entrega
(Não) prevendo uma valente nega
Ridículo pra mim é
Alguém pensar que tão pouco é
Ao ponto de num estranho
Fazer um depósito de infundada fé
Percebo que não percebes
Minha inquietação constante
Mas há muito percebi eu
Que amada não sei ser
E presa fico
Num mero resquício
De no máximo ser amante
Não sou mulher de estante
Não dá pra guardar
Usa-se por mero instante
Não vá alguém querer ficar
E não possa eu saltar
domingo, 2 de julho de 2017
Postar antes de viver Viver depois de postar
Um dia falava com uns amigos sobre redes sociais e afins.
E um deles disse: Mas oh Pureza, tu tens noção que há pessoas que vivem, pura e simplesmente em função das redes sociais, certo?
E eu pensei.. Que exagero também. Quê? Há pessoas que fazem a vidinha delas a pensar como é que se vai reproduzir em determinada rede social?
Achei descabido e até pensei que estava só a meter-se comigo para ver o que é que eu dizia.
Ora, hoje descobri a lupa do Instagram. Sim só hoje, vá.
E finalmente percebi o que me estava a dizer. Maior parte daquelas pessoas que me iam aparecendo, de facto pareceu-me tudo planeado ao pormenor pra fotografia perfeita.
E tudo bem, não vejo qualquer problema que alguém se esforce para que a fotografia fique o mais apelativo possível.
Ainda assim, eu, na minha ingenuidade, achava que as pessoas viviam e de vez em quando, gostavam de partilhar uma coisa ou outra.
Digo, de uma maneira minimamente natural.
Mas esta maioria de que falo, são pessoas que 'postam' coisas nas redes sociais e lá pelo meio, por acaso, vivem.
Não conhecia tal realidade a este ponto.
Nada contra, só uma maneira modernaça de viver da qual não estava inteirada.
domingo, 24 de julho de 2016
Nada
Já percebi
Não é preciso fazer nada
Fazer nada já é fazer
Não vale a pena
Não nos vai caber
O grande desafio da vida
É alcançar o vazio e mantê-lo
E aqui entra o equilibrio
Ou extremos
Ou o consenso
A metade da metade que nos deixa inteiros
O ponto do meio
Que não tem rodeios
Baloiçar é normal
É a viagem do fora do sitio
Para o sitio que nos evolui
Não o sair do ponto
Mas a viagem de volta pra ele
É esse o grande segredo
O querer voltar ao nada
E do nada ter a coragem para o deixar ser tudo
Um tudo de nada
Ter a ousadia de voltar a um nada
Onde de encantado
Nem uma fada
Tudo real
Um vazio sólido
Palpável sentimento
E transparente ao corpo lento
Não é preciso fazer nada
Fazer nada já é fazer
Não vale a pena
Não nos vai caber
O grande desafio da vida
É alcançar o vazio e mantê-lo
E aqui entra o equilibrio
Ou extremos
Ou o consenso
A metade da metade que nos deixa inteiros
O ponto do meio
Que não tem rodeios
Baloiçar é normal
É a viagem do fora do sitio
Para o sitio que nos evolui
Não o sair do ponto
Mas a viagem de volta pra ele
É esse o grande segredo
O querer voltar ao nada
E do nada ter a coragem para o deixar ser tudo
Um tudo de nada
Ter a ousadia de voltar a um nada
Onde de encantado
Nem uma fada
Tudo real
Um vazio sólido
Palpável sentimento
E transparente ao corpo lento
segunda-feira, 4 de julho de 2016
A Liberdade da Incerteza
A liberdade da incerteza
De viver no presente
Que por mais que surpreenda
Nunca mente
Viver do coração
Onde pensar é em vão
A inocência de ser
Sem o querer parecer
Aceito a natureza
De arriscar na pureza
E o perigo do desconhecido
Em vez do não vivido
Sempre de passagem no mundo
Enquanto residente do presente
Sentindo de fundo
Nunca indiferente
Com amor despeço-me
Das amarras do certo
Perigosas estacas
Que fecham o aberto
Cumprimento-as então
Com uma adeus são
É o fim de uma espera
Onde o que foi já era
domingo, 5 de junho de 2016
Atracção Energética
O que somos atrai o que vem
O que vamos sendo
Define o que vai ficando
O que deixamos de ser
Tira o que pensávamos ter
quinta-feira, 2 de junho de 2016
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